Carta de Despedida PLC ONS 26
Carta de Despedida escrita por Email: Elisa Bastos da Silva
Queridos colegas do ONS,
Ao longo dos últimos dias, muitas pessoas me perguntaram como estou me sentindo ao encerrar este ciclo no ONS. E a verdade é que é difícil resumir em poucas palavras um período tão intenso, tão desafiador e, sobretudo, tão transformador para mim.
Quando cheguei ao ONS, eu carregava uma visão construída ao longo de muitos anos olhando a instituição de fora. No MME, na ANEEL e em outros espaços do setor, eu via o ONS pelo “buraco da fechadura”. Via uma instituição extremamente técnica, rigorosa, orientada por procedimentos, normas e protocolos. Via excelência técnica. Mas ainda não conhecia a alma da organização.
Quando a porta se abriu e eu entrei no ONS, encontrei algo muito maior: umdgla instituição profundamente humana. Uma organização formada por pessoas íntegras, comprometidas, inteligentes e resilientes. Gente que trabalha em silêncio, muitas vezes longe dos holofotes, mas que sustenta diariamente algo essencial para o país.
O evento de agosto de 2023 talvez tenha sido, para mim, um dos maiores símbolos disso.
Naquele momento, pude acompanhar de perto a capacidade de resposta do ONS diante de uma situação extremamente complexa. Vi equipes inteiras trabalhando sem medir esforços, com seriedade, velocidade, profundidade técnica e senso de responsabilidade pública. Recuperamos o sistema em um tempo inferior ao que grande parte dos países costuma conseguir em eventos dessa magnitude. E, além da recuperação operacional, entregamos uma análise técnica robusta em tempo recorde.
Mas, acima de tudo, naquele episódio, eu vi pessoas: vi gente cansada, pressionada, emocionalmente afetada, mas absolutamente comprometida em encontrar soluções. Vi colaboração genuína, senso de missão e entrega.
Naquela ocasião compreendi com mais clareza a força real desta instituição. O ONS é uma organização que, quanto mais desafiada, mais entrega. E isso não acontece por acaso, nem apenas por estrutura e processos maduros. Acontece porque existem profissionais extraordinários aqui dentro.
Ao longo desses anos, tive a oportunidade de conviver com colegas que me ensinaram muito. Fiz amizades que levarei para a vida. Aprendi diariamente com pessoas de diferentes áreas, formações, histórias e visões de mundo, e por isso saio profundamente grata.
Percebi também que existem diferentes estímulos profissionais. Há quem se mova por propósito, por remuneração, status ou poder. Todas são motivações legítimas. Mas percebi, ao longo da minha trajetória, que o que mais me move profissionalmente sempre foi a possibilidade de realizar. Eu gosto de construir, transformar e tirar ideias do papel. Gosto de olhar algo que parecia difícil e fazer acontecer.
E talvez uma das maiores satisfações que tive no ONS foi poder realizar coletivamente. Na DAC, tivemos entregas importantes em todas as gerências: modernização de processos, fortalecimento de governança, sustentabilidade, transformação de ambientes físicos, programas de desenvolvimento humano, inclusão e diversidade.
Também avançamos em inovação em gestão, inteligência de dados, eficiência orçamentária, fortalecimento jurídico, evolução de compras sustentáveis, projetos de saúde emocional, programas de valorização ao legado, transformação cultural e tantas outras iniciativas.
Foi particularmente gratificante, ao longo desse percurso, perceber como as pessoas se apropriaram das ideias propostas, contribuíram ativamente para seu aprimoramento e as transformaram em entregas concretas. Em muitos momentos, os resultados alcançados superaram, inclusive, aquilo que inicialmente imaginávamos, o que reforça o valor do trabalho colaborativo e do engajamento genuíno das equipes.
Os resultados alcançados ao longo desta gestão foram construídos a partir do trabalho coletivo, do diálogo permanente e do comprometimento das equipes. Esse percurso contribuiu para consolidar em mim uma compreensão muito clara sobre o papel da liderança. Liderar, nessa perspectiva, é criar condições de ambiente, de direção e de confiança para que as pessoas possam exercer plenamente suas capacidades e entregar o melhor de si em favor do interesse público.
Existe também uma reflexão mais pessoal que esse ciclo me trouxe e que eu demorei mais de 40 anos para descobrir: meu propósito profissional. O que é curioso, porque claramente eu não tenho nem 35 anos ainda, rs.
Mas, brincadeiras à parte, percebi que meu propósito é ‘promover pessoas’[FAD(1] . Promover desenvolvimento, autonomia, confiança e oportunidades. E acredito que nesse ciclo pude contribuir, ainda que de forma pequena, para o desenvolvimento de muitos talentos dentro do ONS, especialmente de mulheres.
Relembraram-me, recentemente, que em meu discurso de posse eu disse que só me sentiria verdadeiramente feliz por ser a primeira mulher diretora do ONS no dia em que olhasse para trás e percebesse que isso ajudou a abrir caminho para muitas outras. Ainda estamos caminhando e há muito a evoluir, mas seguimos avançando e isso importa.
Saio diferente da pessoa que entrou.
Mais madura, mais sensível, mais consciente da complexidade do setor e, principalmente, muito mais preparada em temas de gestão do que eu era quando cheguei aqui.
Saio ainda mais admiradora do ONS.
Agradeço profundamente a cada empregado (efetivo e terceirizado), liderança e equipe por todas as trocas, aprendizados, apoios, discordâncias construtivas, desafios compartilhados e entregas construídas em conjunto.
No fim, talvez esse ciclo tenha sido também uma grande aventura. E foi uma honra vivê-la ao lado de vocês.
Muito obrigada por tudo.
Com carinho,
Elisa
PS: Com o encerramento deste mandato, deixarei de utilizar o telefone corporativo. Permanecerei apenas com meu número pessoal, que compartilho com vocês: (61) 99628-4954. Meu e-mail pessoal é: elisabs@gmail.com. Ficarei feliz em manter contato.